Postal por escrito: Hotel Tropical, Manaus
Eu poderia escrever duas críticas sobre o Hotel Tropical de Manaus. Uma antes e outra depois de ter ido ao Ariaú.
Antes de ir ao Ariaú:
O Tropical de Manaus é uma decepção. O hotel poderia ser um oásis de luxo na floresta, uma câmara de descompressão para quem vai ou volta dos hotéis de selva, mas acaba se contentando em ser apenas um resort envelhecido. Nada contra hotéis decadentes -- eu acho que não existe nada mais divertido do que se hospedar em hotéis decadentes. No entanto, é triste quando você não consegue nem sentir no ar o cheiro das glórias passadas. O hotel poderia aproveitar o novo fluxo de turistas estrangeiros à Amazônia para fazer um face-lift total. Os móveis da ala antiga, muito pesados, estão pedidn para ser trocados. O vidro fumê da sala de café da manhã não se justifica. A comida do restaurante precisa melhorar. E as espreguiçadeiras da psicina, para fazer jus ao cenário, tinham que ganhar colchonetes atoalhados. Só assim o Tropical pode vir a desempenhar o papel que lhe cabe, que é o de ser o Copacabana Palace da Amazônia.
Depois de ir ao Ariaú:
O Tropical de Manaus é uma alegria. Um verdadeiro oásis de luxo na floresta, uma câmara de descompressão para quem vai ou volta dos hotéis de selva. Mesmo estando um pouco decadente -- e na minha opinião, não existe nada mais divertido do que se hospedar em hotéis de luxo decadentes --, você ainda consegue sentir no ar o cheiro de glórias passadas. Algumas coisas, é certo, poderiam ser mudadas: os móveis da ala antiga, o vidro fumê da sala de café da manhã, o cardápio do restaurante. E para fazer jus ao cenário, as espreguiçadeiras da piscina poderiam ganhar colchonetes atoalhados. Mesmo assim, ficar o Tropical de Manaus é quase como se hospedar num Copacabana Palace da Amazônia.
Amazônia, julho, 1999
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