Que dicas você daria para viajar sozinha entre França, Itália e Suíça?


A pergunta é da Maria Só, que vai viajar em março, e também queria dicas sobre quais trechos fazer de avião e qual a melhor forma de ver a paisagem alpina.

Mas o que eu gostei mais na sua pergunta é a chance de dar dicas para viajar sozinho, um assunto que merecia ter um capítulo no meu livro.

* Viaje super-hiper-absurdamente-light. Quem viaja sozinho não tem ninguém para ajudar a carregar a mala, nem para rir um do outro por ter trazido peso demais. Estar sozinho e com uma mala difícil de carregar é o atalho mais curto para uma crise de depressão a cada escala. Lembre-se que só você vai notar que está repetindo roupa -- e sempre é possível mandar lavar uma peça ou outra no hotel.

* Prefira destinos "fáceis". Destinos "fáceis" são aqueles onde você não precisa fuçar muito para encontrar gratificação -- aqueles lugares onde andar na rua, ver a paisagem ou fazer a mais corriqueira das refeições faça acender o botão do "valeu a pena ter vindo até aqui". Ou seja: deixe para conhecer lugares complicados, pobrinhos, frios, chuvosos, exóticos ou "cabeça" demais quando você encontrar uma companhia disposta a encarar (e dividir) os percalços.

* Mulher sozinha em país islâmico? Nem pensar. Com exceção da Turquia, cuja cultura é semi-ocidentalizada, os países árabes são um território hostil para a viajante desacompanhada, já que toda mulher não-muçulmana é tida como libertina e sexualmente disponível. Às minhas cyberleitoras que sintam saudade de galanteios e assovios ao ar livre, eu sugiro uma linda viagem à Itália.

* Acorde cedo e durma cedo. A não ser que você esteja viajando com terceiras intenções (então veja abaixo), o melhor é se disciplinar para se cansar muito de dia e ter muito sono à noite. Agende-se para conhecer muito, visitar tudo e um pouco mais, e ter objetivos concretos para cada dia. Faça do almoço sua refeição principal -- é muito mais "normal" almoçar só do que jantar só.

* Mantenha um diário de viagem. Use todo aquele tempo que, se estivesse acompanhado, você gastaria conversando bobagem, fazendo pirraça ou esperando sua companhia de viagem desocupar o banheiro, e fabrique o melhor souvenir (literalmente) que você pode trazer de uma viagem: um diário de bordo. Anote tudo o que acontecer -- principalmente os contratempos. (Já que eles são inevitáveis, que pelo menos sirvam para a gente rir deles um dia, concorda?)

* Leve um grande projeto com você. Você vai ter condições ideais de temperatura e pressão para arredondar seu próximo passo pessoal ou profissional. (É sério, não é conversa-fiada de auto-ajuda não).

* Escolha hotéis e restaurantes com carinho redobrado. Sem ter alguém para rachar seu quarto de hotel, fica muito mais difícil cacifar hotéis luxuosos. Mas em vez de pegar qualquer hotel econômico, siga a dica dos guias, que conhecem o assunto muito melhor do que o computador do seu agente de viagem. O Frommer's e o Fodor's sempre trazem uma ou duas opções, mas os melhores no departamento baixo orçamento são o Time Out, o Rough Guide e o Lonely Planet. A mesma coisa com relação a restaurantes -- não deixe a sua viagem virar uma sucessão de McDonald's só porque você está só.

* Evite viajar de carro -- a menos que você conheça bem a região ou esteja muito familiarizado com o país (tipo assim, a terceira vez que você pega estrada nos Estados Unidos). Num lugar estranho é quase indispensável ter um "navegador" ao lado, decifrando mapas e placas, e ajudando você em caso de pane (toc toc toc).

* Freqüente cybercafés. Por qualquer coisa entre US$ 5 e US$ 10 por hora, você não perde contato com seus amigos no Brasil (e, se quiser, pode até continuar acompanhando as notícias tupiniquins). É incrível, mas hoje qualquer biboca tem cybercafé: procure os do seu itinerário no Cybercafé Search Engine antes de partir.

* Para fazer amizades, a dobradinha viajar de trem/hospedar-se em albergue vem funcionando há muitas décadas. Para quem não gosta de ficar em albergue, a maior novidade são os cybercafés -- onde enquanto você espera vagar um PC (esqueci de avisar: sempre tem espera) pode conhecer viajantes na mesma situação que você. Outra dica que funciona é freqüentar os lugares indicados pelos guias mais antenados, como o Rough Guide, o Time Out e o Lonely Planet. Manter o livro à vista identifica você como "da tchurma" -- facilitando um intercâmbio de impressões e experiências que pode de repente render programas compartilhados.

* Viajando com terceiras intenções, vá na certa. Não, o mundo não é um imenso singles bar à espera dos viajantes solitários. Viajar com esse objetivo é um dos atalhos mais curtos para a frustração. Quem quer trocar o dia pela noite deve ir direto a lugares onde a noite é uma religião -- como Madri, Barcelona, Londres, Amsterdã -- ou onde todo mundo está ali para isso -- como o verão na Grécia, em Ibiza, no Algarve ou em Porto Seguro. (Querendo, dá para descobrir cruzeiros para "singles" pelo Caribe e resorts para "singles" na Jamaica).

* Se segura! -- aqui no sentido de fazer um belo seguro antes de sair. Mesmo que o seu cartão de crédito prometa isso ou aquilo, ou que o seu seguro-saúde garanta alguma assistência no exterior, não deixe de fazer um seguro-para-turista total antes de sair (seu agente de viagem tem todas as opções). Tire xerox das primeiras páginas do seu passaporte e faça uma lista com o telefone de emergência de todos os seus cartões de crédito. Use o cofre em todos os hotéis onde se hospedar, e procure não mostrar o passaporte a alguém que você tenha acabado de conhecer.


Para mais dicas de como aproveitar melhor suas viagens, leia Viaje na Viagem: dê um pulinho já na Siciliano Virtual.