Pulando de carnaval em carnaval


É possível estar em três lugares ao mesmo tempo? Desafiando uma lei elementar tanto da física quanto da educação física, este ano decidi realizar minha mais antiga fantasia de folião -- ir ao Rio, a Salvador e ao Recife num mesmo carnaval. A idéia era comparar os três maiores carnavais do Brasil da maneira mais objetiva que existe: fazendo um test-drive do modelo 99 de cada um deles. Qual a diferença entre desfilar no Sambódromo, subir as ladeiras de Olinda e tirar o pé do chão na Praça Castro Alves? Em quatro dias eu saberia o que uma pessoa em pleno uso de seu juízo levaria pelo menos três anos para descobrir.

Para revestir a pesquisa de algum rigor metodológico, segui o exemplo da Liga das Escolas de Samba e elaborei minha própria lista de quesitos. Em cada um dos carnavais eu teria que avaliar, se possível num estágio semelhante de sobriedade:
1. a animação (de uma a cinco estrelas na escala Ziriguidum);
2. o espaço (para o folião brincar);
3. o tempo pulado (porcentagem do tempo em que você efetivamente chacoalha o esqueleto);
4. a azaração (possibilidade de se dar bem);
5. o custo (para entrar no carnaval -- sem contar passagem nem hotel);
6. a velocidade etílica (quantas l/h -- latinhas por hora?).

Isto feito, o passo seguinte foi montar a ordem dos desfiles -- que, apesar de geograficamente incorreta, é a que fazia mais sentido carnavalesco:
* sábado de manhã no Recife, para o Galo da Madrugada;
* sábado ao anoitecer em Olinda;
* domingo no Rio, para assistir ao desfile e sair numa escola;
* segunda e terça em Salvador (o único carnaval que eu ainda não conhecia).

Antes de qualquer coisa, preciso advertir o leitor que, para cumprir esse roteiro, o sujeito não pode ser bom da cabeça -- e, depois de emendar frevo, samba e trio elétrico, fatalmente acaba doente do pé . Nada, porém, que não se resolva com um bom estoque de guaraná em pó, Neosaldina, Engov, Merthiolate e Band-Aid.


(Proóxima parada: Cumbica.)