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Temos 10 dias de férias. Queremos passar 7 dias em Paris e estamos cheios de idéias para os outros 3 dias. O que você recomenda?
Se eu fosse classificar a viagem do Paulo e da Lílian, de Porto Alegre, nos termos do meu livro, eu diria que eles vão fazer uma viagem-pizza a Paris, mas querem pedir a sobremesa e o cafezinho num lugar diferente.
Vamos lá. Em Paris, eles me pedem sugestões de hotéis até US$ 150, se possível em St.-Germain, e restaurantes bacaninhas. Se eu fosse vocês, tentava ficar no Hôtel Saint-Louis, um hotel simpaticíssimo na encantadora île St.-Louis, que além de ser a ilha mais bonita do mundo ainda por cima fica em Paris.
Em St.-Michel, o Hôtel des Grandes-Écoles fica numa rua medieval e tem seu próprio jardim interno. Em St.-Germain, entre os hotéis recomendáveis nesta faixa de preço estão o Bonaparte, perto de St.-Sulpice, e o Hôtel Saint-Germain, na rue du Four.
Para comer, eu recomendo que em uma semana vocês vão a pelo menos duas brasseries, que são as churrascarias de Paris: alegres, descompromissadas, sem frescuras demais no cardápio nem exigência de gravata -- e onde dá para chegar sem reserva.
*A mais animada é a La Coupole, em Montparnasse (102 bd Montparnasse, metrô Vavin), que funciona até às 2h da manhã.
* A mais "over" é a engraçadíssima Julien (16 rue du Faubourg St.-Denis, metrô Strasbourg/St.-Denis, no meio da "zona"), que pediu para ser belle-époque e entrou na fila duas vezes;.funciona até à 1h30 (mas fecha das 15h às 19h).
* A mais elegante é a Bofinger, no Marais (5 rue de la Bastille, metrô Bastille), que foi onde o pessoal do Balthazar de Nova York veio buscar inspiração; funciona até 1h (nos horários de pico, é melhor reservar: tel. 01-42-72-87-82).
* A mais monumental é o Le Train Bleu, na Gare de Lyon (metrô Gare de Lyon) que, se não fosse uma brasserie, poderia ser um teatro; o horário é de restaurante: 11h30/15h e 19h/23h.
* A mais qualquer-nota é a Au Pied de Cochon, em Les Halles (6 rue Coquillère, metrô Châtelet-Les Halles): a decoração é tão divertida quanto fake. Vale pelo horário (funciona 24 horas) e pela oportunidade de tomar sopa de cebola na madrugada no exato lugar onde inventaram a sopa de cebola na madrugada (Les Halles era o Ceasa de Paris). Peça como os franceses: "une gratinée, s'il vous plaît".
Recomendo também que outros dois jantares sejam feitos em segundos restaurantes de chefs famosos, onde vocês podem comer a comida assinada pelos mestres por preços plebeus. Guy Savoy tem três "segundos restaurantes": Les Bookinistes, em St.-Germain (53, quai des Grands-Augustins, tel. 01-43-25-45-94, metrô Saint-Michel), La Butte Chaillot, nos Champs-Elysées (110 bis, av. Kléber, tel. 01-47-88-88, metrô Trocadéro) e Le Cap Vernet, pra lá da République (82, av. Marceau, tel. 01-47-20-20-04, metrô Étoile). O "segundo" de Jacques Cagna é o L'Espadon Bleu, também em St.-Germain (25, rue des Grands-Augustins, tel. 01-46-33-00-85, metrô Saint-Michel), e sua especialidade são peixes e frutos do mar.
Pelo menos uma noite deve ser reservada para ir a um bom étnico de alguma das ex-colônias francesas. Se a escolha for um marroquino, o melhor (e baratíssimo) é o Chez Omar, que fica numa ex-brasserie art-nouveau, transformada em sujinho, entre o Marais e o Beaubourg (47, rue de Bretagne, tel. 01-42-72-36-26, metrô Filles du Calvaire). Se pintar vontade de um bom vietnamita/laociano, vale a pena ir até o bairro de imigrantes de Belleville e se deliciar no Lao Siam (49, rue de Belleville, tel. 01-40-40-09-68, metrô Belleville). Ainda no capítulo "cozinha não-francesa", uma boa opção para um almoço leve é o Jo Goldenberg, o mais famoso "traiteur" judaico, e um dos últimos resquícios da encarnação anterior do Marais como gueto judeu.
Dois jantares tão baratos quanto transadinhos podem ser feitos no Café Charbon, reduto intelectual moderninho no 11o. arrondissement (109, rue Oberkampf, tel. 01-43-57-55-13, metrô Ménilmontant), e no Temps des Cérises, antro da esquerda teatreira no 13o. (18, rue de la Butte-aux-Cailles, tel. 01-45-89-69-48, metrô Place d'Italie).
Finalmente, em se podendo (e parece ser o caso), é um crime ir a Paris e não fazer uma refeição que seja num restaurante estrelado. A grande dica é ir no almoço: além de ser mais barato, você ainda tem tempo para fazer a digestão -- porque o que se come num "grand restaurant" geralmente dá para matar a fome de meia Etiópia. Minhas preferências: o Tour d'Argent (15-17, quai de la Tournelle, tel. 01-43-54-23-31, metrô Maubert-Mutualité), pelo seu pato à cabidela e pela sua vista de Notre-Dame; o Guy Savoy (18, rue Troyon, tel. 01-43-80-40-61, metrô Charles de Gaulle-Étoile), por sua cozinha inventiva; e o L'Ambroisie (9, place des Vosges, tel. 01-42-78-51-45), pela localização elegante na Place des Vosges. Em qualquer um deles, não esqueça da gravata, Paulo.
Antes de sairmos de Paris, o Paulo pergunta onde ele pode levar a Lílian para comemorar o aniversário dela. Eu sugiro um lugar da moda, que seja ao mesmo tempo chique e animado, como o Café Marly (93, rue de Rivoli, Cour Napoléon du Louvre, tel. 01-49-26-06-60, metrô Palais-Royal), que fica praticamente no Louvre, ou o Buddha Bar (8, rue Boissy d'Anglas, tel. 01-53-05-90-00, metrô Concorde), que é o lugar mais nova-iorquino de Paris.
Depois de Paris, as idéias do Paulo são:
1) ir a Londres; ou
2) ir a Bruges e Londres; ou
3) ir a Mont-St.-Michel e Londres; ou
4) visitar caves perto de Paris; ou
5) fazer o que eu sugerir.
Vamos por partes.
Ir a Londres: perfeitamente possível, desde que vocês se organizem e saibam direitinho o que vão fazer. Eu não sou londrófilo, por isso recomendo tudo o que o Time Out disser para vocês fazerem. Vocês podem ir de Eurostar (são 3h11 de viagem de Paris-Nord até London-Waterloo) e voltar de avião de Londres para o Brasil (a passagem deve sair praticamente a mesma coisa).
Ir a Londres com escala ou em Bruges ou em Mont St.-Michel já é um pouquinho mais complicado, porque os 3 dias em Londres acabam virando 2 dias em Londres. Dois dias são suficientes para um freqüentador habitual de uma megacidade matar as saudades, mas dificilmente vão satisfazer visitantes de primeira viagem. Bruges fica a duas horas e meia de Paris, com TGV (Thalys) até Bruxelas. De Bruges a Londres são 4 horas e meia, pegando o Eurostar em Bruxelas. Mont St.-Michel, na Normandia, fica a 4 horas de trem de Paris (saída da gare St.-Lazare). Para ir de lá a Londres é necessário voltar a Paris para pegar o Eurostar. Em ambos os casos, eu sugiro deixar as malas no depósito do hotel em Paris, ir até a cidade escolhida (Bruges ou Mont St.-Michel), pernoitar lá e voltar para os últimos dias em Paris.
As caves mais interessantes nas proximidades de Paris são as da região de Champagne. A capital, Reims (pronuncia-se "Rãz") fica a meros 90 minutos de trem. Vocês podem ir de manhã cedo (o trem das 8:04, com saída de Paris-Est, chega em Reims às 9:36), dar uma entradinha na famosa Catedral de Reims, visitar as caves Mumm, e ainda prosseguir viagem a Épernay, almoçando no Les Berceaux (13 rue des Berceaux, tel. 03-26-55-28-84), depois pegando uma das últimas visitas guiadas às caves Moët-Chandon, e voltando de Reims para Paris no último trem, às 20:27 (chegada às 22:02).
E já que vocês ainda querem uma sugestão, ninguém mandou pedir. Lá vai. Que tal passar esses últimos 3 dias na Bourgogne? Peguem um trem até Auxerre (2h), aluguem um carro e passem o primeiro dia (tema: vinho branco) em Chablis (190 km de Paris) -- de preferência na Hostellerie des Clos (fax 03-86-42-17-11, US$ 120). No segundo dia visitem Vézelay, que é a mais bonita cidade medieval da Bourgogne, e continuem até Béaune (tema: vinho tinto), que fica no epicentro da região produtora dos vinhos mais caros do mundo -- de Romanée-Contis para baixo. Reservem duas noites no Le Home (fax 03-80-22-16-43, US$ 110); no dia seguinte visitem mais châteaux produtores de vinhos e dêem uma passeada em Dijon. Entreguem o carro na locadora e voltem de trem a Paris (2h50).
Bon voyage!
Para viajar melhor ou simplesmente dar um monte de risada, leia Viaje na Viagem: dê um pulinho já na Siciliano Virtual.
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