Postal por escrito: Nova York
O que as pessoas vêem em Nova York que eu não vejo? -- eu me pergunto, enquanto trato do que vim fazer em Manhattan: matar saudades da minha irmã, fazer encomendas para minha loja e uma matéria sobre hotéis para a Vip.
Não é que eu desgoste de Nova York, não; longe disso. Eu só não consigo me emocionar como as pessoas normais que vêm para cá. Eu não sei entrar num avião para Noviorque sem lamentar que eu poderia estar indo para Paris, ou então para algum lugar que eu ainda não conheço, tipo Québec ou Cuba ou Fernando de Noronha ou Cape Town. Acho Nova York apenas um upgrade de São Paulo -- um baita dum upgrade, porém nada além disso.
Mas ando pelas ruas de Manhattan e tento pensar com a cabeça das pessoas não-excêntricas. Abro bem os olhos. Relaxo os ombros. Deixo os pré-conceitos de lado. E não é que eu descubro numa simples tarde três grandes motivos para me convencer de que Nova York é um grande programa?
A maior atração de Nova York: as pessoas na rua.
Lojas e mais lojas e mais lojas, e você nem está no shopping nem nada.
Comida ótima, porções imensas, preços bons mesmo com a desvalorização.
Se bem que arranjei uma coisa bem divertida para fazer nesses 5 dias de Manhattan -- subi e desci de quartos de 30 hotéis para fazer a matéria da Vip (clique aqui para ler). Fui a hotéis de pacote, descobri alternativas simples e conferi quase todos os hotéis moderninhos (Paramount, The Time, Shoreham, W, Morgans, SoHo Grand e Mercer). Tudo ia transcorrendo praticamente sem incidentes, quando resolvi ir ao legendário Chelsea Hotel, que hospeda roqueiros excêntricos, artistas pobres e turistas corajosos. Pedi para visitar um quarto, e recebi como resposta: "We don't show rooms!!!!", assim, com um monte de pontos de exclamação. Tentei argumentar, explicando que estava fazendo uma matéria para...
Saí enxotado. (E morrendo de rir.)
Nova York, junho, 1999
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