Eu e meu marido queremos passar o réveillon do milênio em Cuba. É possível alugar um carro e viajar de maneira independente pela ilha?


Quem pergunta é a Natália, de Londrina, que escolheu Cuba para o réveillon porque os destinos clássicos estão muito disputados. A Natália gostaria de passar por lugares que não sejam freqüentados apenas por turistas, se hospedar em hotéis de charme e saber que guias existem sobre o país.

Natália, Cuba hoje atrai dois tipos de visitantes:
* o viajante curioso, como você, que quer conhecer o lugar enquanto ele ainda é um museu vivo dos anos 50, e de lambuja ainda conhecer cidades coloniais e tomar um sol em praias bonitas;
* e o turista europeu/canadense de pacote, que quer ir do aeroporto ao hotel, ficar lá sete dias e voltar vermelho ou moreno para casa, pagando o mínimo possível por isso.

Apesar de o turismo (assim como acontece no Brasil...) estar todo voltado para a venda de pacotões em resortões, a boa notícia é que é possível, sim, fazer viagens independentes por Cuba. O que vai ser difícil de achar são hotéis que fujam do padrão excursão-de-alemão... Mas você pode montar seu roteiro e fazer suas reservas por fax -- se os hotéis que você escolher não puderem ser reservados diretamente, você certamente vai ser encaminhada por eles a uma agência que trabalhe com "independentes".

Existem dois guias muito bons de Cuba que você pode comprar aqui no Brasil (clique no título, que eu já instalei o link com a página que vende o guia na Siciliano Virtual): o Fodor's Cuba, já em português, e o Cuba Handbook, em inglês. Eu não tenho nenhum deles aqui em casa, mas pela minha experiência posso dizer que o Fodor's vai ser mais objetivo e seletivo, e puxar um pouco demais pelo gosto americano; já o Handbook, que é inglês, vai ser bem mais completo, mas em compensação você não vai saber por onde começar ou o que deixar de fora.

Você pode alugar carro sem problemas -- até mesmo pela Internet: clique aqui -- mas é bom ter em mente que as estradas em Cuba são precárias, e nem todos os postos de gasolina têm gasolina o tempo todo. Recomenda-se dirigir apenas de dia, e sempre com um galão reserva de gasolina a bordo.

A maioria dos turistas faz um citytourzinho em Havana e já vai para Varadero, que é a Cancún cubana -- se você for no começo da viagem, vale como câmara de descompressão; no final, pode ser uma gostosa volta à civilização.

A capital dos charutos é Pilar del Río. A Ouro Preto deles, Trinidad. A Salvador cubana -- o epicentro da cultura afro da ilha -- é Santiago de Cuba, a uma hora e meia de vôo ou uma vida inteira de carro de Havana. E a resposta cubana às Maldivas fica nos atóis de Cayo Largo -- cinco bancos de areia no Caribe com água absolutamente transparente e os turistas mais abonados de Cuba. O hotel mais simpático em Cayo Largo é o Villa Capricho (fax 53-54-8201).

Por todos os depoimentos -- eu não conheço Cuba, estou louco para ir -- o hotel para se ficar em Havana é o copacabana-palaciano Hotel Nacional (fax 53-733-3109), construído em 1927 e recentemente restaurado. Se ele já estiver lotado para o fim do ano, tente o Victoria (tel. 53-733-3510), que tem apenas 31 quartos e a Condé Nast Traveler falou bem.

No resto da ilha, não consegui descobri nenhum hotel na Internet que eu ficasse à vontade para recomendar (tampouco para desrecomendar). O melhor a fazer é seguir as dicas dos guias e levar bom-humor na bagagem: encare tudo como uma viagem exótica a um país pobrinho, não como suas férias hollywoodianas nos mares do sul.

Buen viaje -- e me conte tudo depois...


Para viajar melhor ou simplesmente dar um monte de risada, leia Viaje na Viagem: dê um pulinho já na Siciliano Virtual.