Postal por escrito: Ariaú Jungle Towers, Rio Negro


O Ariaú é tão famoso, que virou sinônimo de hotel de selva (ou jungle lodge) no Brasil. Você pensa em se hospedar no meio da floresta, e pimba: logo lembra das fotos das torres de madeira e das passarelas elevadas que permitem ver a floresta por cima.

O acesso é muito fácil: os barcos para o Ariaú saem duas vezes por dia (às 8 da manhã e às duas da tarde) do ancoradouro do Hotel Tropical, em Manaus, numa viagem que acaba sendo um belo passeio de duas horas Rio Negro acima.

Chegando lá, é tudo muito organizado.

Os hóspedes são divididos em pequenos grupos de até 10 pessoas e partem para uma série de passeios bárbaros> -- caminhada na selva, passeio de canoa nos igarapés e igapós, focagem de jacarés, pesca de piranha, visita a uma aldeia de caboclos, até mesmo um ritual indígena quase praticamente super-autêntico.

Os guias se comunicam na sua língua, seja ela qual for: português, espanhol, inglês, francês, alemão, italiano, japonés ou árabe. As passarelas do hotel são visitadas por macaquinhos, a comida é boa, e as duas pequenas piscinas suspensas são o máximo.

Isto posto, aí vai chumbo.

O Ariaú é um prodígio de engegenharia, mas tem falhas de arquitetura e é um desastre terminal em decoração.

O hotel inteiro é infestado por plantas de plástico, flores artificiais e pinturas de cenas amazônicas da pior qualidade, que fariam até algum sentido em Las Vegas ou São João do Meriti -- mas nunca no coração da selva.

Apesar da diária ser em dólar (US$ 280 por pessoa para uma noite e dois dias), os móveis parecem ter sido comprados nas Casas Bahia com carnês quitados do Baú da Felicidade. A sala de TV e jogos (assim como os quartos) é iluminada por luz fluorescente, dando a impressão de que você está num bilhar em Serra Pelada.

Já que o hotel deu tão certo (a turistada deve encarar toda esta cafonália como algo "típico") a ponto de estarem começando a construção do Ariaú 2, deixo aqui minha sugestão para a ala nova: ou façam tudo eco-básico (acampamento militar na selva) ou eco-chic (esteiras, palhas, vimes) -- não eco-kitsch de novo.

Eu não chegaria ao ponto de desrecomendar o hotel antes de conhecer os outros "lodges" da região. Principalmente porque os passeios do Ariaú -- a razão pela qual as pessoas vão até lá -- são muito bons.

Mas que o Brasil merecia um cartão postal melhor no Amazonas, ah, merecia.


Amazônia, julho, 1999