A alta do dólar nos fez desistir de passar a lua de mel na Europa -- mas temos passagens grátis para os EUA. Que cidades você recomenda?
Assim como a Luísa e o Jorge, do Rio, devem existir milhares de brasileiros que precisaram mudar seus planos de viagem por causa da desvalorização súbita do cruzado. Quer dizer, do cruzeiro. Ops, como é mesmo o nome daquela moeda???
Eles amam a Europa, e queriam passar vinte dias entre Paris, Praga e Veneza. Simplesmente as três cidades mais românticas do mundo. Como plano alternativo, pensam em usar suas passagens grátis do programa de milhagem da American Airlines para conhecer duas cidades dos Estados Unidos ou passar pelo Caribe. Se eu não der minha opinião, eles ameaçam ir do Rio para Iguaba, onde fatalmente se divorciariam e então aproveitariam para pôr toda a culpa em mim.
Lá vou eu, então.
A saída pela esquerda número 1 é manter a viagem como estava planejada, e diminuir pela metade o padrão dos hotéis e restaurantes. Como estamos falando das quatro cidades mais bonitas do mundo (a outra é o Rio, onde eles moram), pode valer a pena se acomodar mal e comer médio (com uma ou outra extravagância de vez em quando) só pelo prazer de passar a lua-de-mel naqueles cenários.
Neste caso, sugiro duas coisas:
A saída mais sensata, porém, é pegar essas passagens que estão dando sopa nessa época de dólar irreal(sorry) e ir pros States mesmo. Se vocês amam a Europa, então por que não ir para as duas cidades mais européias dos Estados Unidos? Minha sugestão: lua de mel em San Francisco e em New Orleans.
Em San Francisco vocês podem se hospedar no Cartwight, um hotelzinho com charme parisiense que fica pertíssimo da Union Square e do lindo bairro residencial de Nob Hill. Eles chegam a cobrar US$ 99 na baixa temporada (com café da manhã continental), e têm um pacote de lua-de-mel de US$ 149 (com direito a champagne, chocolate e flores). Eu já fiquei lá numa outra encarnação do nosso dinheiro -- e adorei.
Ainda lá por San Francisco, e continuando no tema Europa-na-América, vocês podem alugar um carro por dois dias e ir passear nas regiões vinícolas de Sonoma e Napa Valley. Podem até chutar o balde (o balde de gelo de champagne, por que não?) e jantar uma noite no Chez Panisse, tido por muitos como o melhor restaurante americano.
De lá vocês voam para New Orleans, uma cidade que até quem detesta os Estados Unidos vai adorar. New Orleans é um pouco francesa, um pouco espanhola, um pouco preta, um pouco americana, e por isso tudo totalmente baiana. O Vieux Carré (ou French Quarter) é charmosésimo, o bairro das mansões coloniais (Garden District) é lindo, e a comida não tem espaço para ser mais gostosa.
É possível se hospedar com charme em New Orleans por menos de US$ 120. Tente o Le Richelieu, o Lamothe House ou a minipousada (de apenas 5 quartos) Bon Maison. Ali por perto vocês também podem fazer passeios às antigas "plantation houses" da época de "E o vento levou...". Não é a Europa, mas também não é o Epcot Center.
Finalmente, atendendo a seu pedido de sugestão via Caribe, vocês poderiam de repente ir a Nova York e de lá pegar o vôo da American para Sint-Maarten -- que é metade holandesa e metade francesa. Achei um site com as pousadas e hotéis da ilha abaixo de US$ 150 -- a La Vista parece espetacular, pelos preços camaradas que cobra.
Na seção extravagância, vocês podem pegar o teco-teco que faz a ligação com a mítica St.-Barth e passar uma ou duas noites num dos hotéis quase em conta da ilha: a Hostellerie des Trois Forces, na montanha, ou o Village St.-Jean, na praia.
Ou seja: qualquer coisa, menos Iguaba! Boa viagem, e ótima lua de mel procês.
Para viajar melhor ou simplesmente dar um monte de risada, leia Viaje na Viagem: dê um pulinho já na Siciliano Virtual.
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