Tenho 28 dias em setembro e quero ir a Espanha,
Itália e Grécia. O que você sugere?


A pergunta é do Sempre em Férias, de Porto Alegre.

Em primeiro lugar, meus cumprimentos por estar pensando desde já nessas férias de setembro. As melhores viagens são aquelas que a gente prepara com a mais ensandecida das antecedências: você consegue os melhores hotéis (em qualquer faixa de preço) e as melhores tarifas aéreas, e rentabiliza ao máximo o seu investimento, já que a sua viagem vai ter uma duração (psicológica, ao menos) muito maior.

A primeira coisa que passa pela cabeça de quem pensa numa viagem como esta é descolar a tarifa mais barata para Madri (fuçando bem, e indo na baixa temporada -- o que é o caso -- deve dar para conseguir por tipo US$ 700) e complementar com um Eurailpass de 21 dias (US$ 680). Por favor, resista à tentação. Se você somar as duas coisas, vai dar praticamente US$ 1,400. E você vai ter que dormir umas seis ou sete das suas 28 noites na Europa num trem -- incluindo aí o replay aborrecidíssimo do trajeto na volta até Madri para pegar o avião para o Brasil.

Minha sugestão: peça para seu agente de viagem fazer dois orçamentos, um com a Iberia e outro com a Vasp, do seguinte itinerário:
Brasil-Madrid-Barcelona-Veneza // Roma-Atenas-Santorini-Atenas-Brasil.

Complemente com um Italy Railcard de 4 dias (você tem direito a usar trens na Itália por 4 dias salteados durante o período de 1 mês), que custa US$ 139 (ou US$ 209, se você fizer questão de viajar 1a. classe). Duvido que a soma das duas coisas saia proibitivamente mais caro do que aqueles US$ 1,400 que você pagaria para sofrer feito retirante.

Eu dividiria esta viagem em três climas diferentes, que têm tudo a ver com os países que você escolheu:
* a Espanha para aclimatação e descontração;
* a Itália para cultura e gastronomia;
* e a Grécia para tirar férias das férias.

Sugiro começar com 4 dias em Madri (tirando um para ir até Toledo) e então voar para 4 dias em Barcelona (incluindo uma ida a Figueres, a cidade-atelier de Dalí). Vá ao Prado em Madri, à Fundació Miró e aos prédios de Gaudí em Barcelona, mas aproveite sobretudo a incrível vida noturna das duas grandes cidades da Espanha para relaxar (em portunhol!) e se sentir realmente em férias.

Recarregada a bateria, dá para mergulhar de cabeça num turismo mais papai-mamãe pela Itália, intercalando museus e monumentos com refeições memoráveis. Pegue o vôo direto da Iberia (diário!) de Barcelona a Veneza, e permaneça, boquiaberto, 3 dias por lá.

Use os 4 dias salteados a que você tem direito no seu Italy Railcard da seguinte maneira:
* Dia no.1: Veneza-Florença (fique 4 dias, incluindo o dia que você vai passar em Pisa);
* Dia no. 2: Florença-Pisa-Florença;
* Dia no. 3: Florença-Siena (fique 2 dias);
* Dia no. 4: Siena-Roma (fique 5 dias).

De Roma voe a Atenas -- se você quer saber dos horrores da travessia Itália-Grécia de barco, eu conto. Fique em Atenas dois dias -- o tempo suficiente para subir à Acrópole e dar uma voltinha -- e então voe para uma ilha para pegar um bronze no finalzinho do verão (deles) e voltar zero-bala para o Brasil. Se você quiser badalação, deve se programar para ir a Mikonos; mas eu cá comigo acho que depois dessa canseira é melhor um pouco de sossego, e por isso iria a Santorini, que é a ilha onde são feitos todos aqueles postais de igrejinhas com cúpulas azuis, e ficaria 5 longos dias de papo para o ar (e para o Egeu) na tranqüilíssima vila de Oia.

Compre já os guias necessários (em português você encontra o Fodor's Espanha, o Fodor's Itália, o Frommer's Itália, o Frommer's Grécia e o Guia Visual Folha Atenas & Ilhas Gregas. Não tenha receio de fazer suas reservas tipo com 6 meses de antecedência -- qualquer coisa, você sempre tem um prazo para cancelar.


Se você quer roteiros prontos para viagens tradicionais ou exóticas, leia Viaje na Viagem: dê um pulinho já na Siciliano Virtual.